O que é a consulta do viajante?
A consulta do viajante é uma consulta de medicina preventiva. Destina-se a quem vai viajar para fora da Europa ou para zonas com riscos de saúde específicos. É feita por um médico com formação em medicina do viajante.
O objetivo é simples: chegar ao destino preparado. O médico olha para a situação concreta do viajante, e não para um destino genérico. Avalia as vacinas que já tem, as doenças que já teve ou tem, os medicamentos que toma, o tipo de viagem (lazer, trabalho, voluntariado, aventura) e as características do destino. Com base nisso, o viajante recebe um plano feito para si e para aquela viagem.
A consulta pode ser feita por teleconsulta, com o mesmo rigor de uma consulta presencial e sem deslocações.
Quem deve fazer a consulta do viajante?
Qualquer pessoa que vá viajar para:
- Países tropicais ou subtropicais (África subsariana, América Latina, Sul e Sudeste Asiático)
- Zonas com risco de malária
- Países que exigem vacinas para entrar (por exemplo, febre amarela)
- Destinos com surtos ativos de doenças infeciosas
- Zonas remotas, com acesso difícil a cuidados de saúde
Algumas pessoas beneficiam ainda mais da consulta, porque o risco ou as recomendações mudam com a sua situação.
| Quem | Porquê |
|---|---|
| Grávidas | Alguns destinos são desaconselhados (por exemplo, zonas com surtos de zika). A malária é mais grave na gravidez. Nem todos os medicamentos e vacinas podem ser usados. |
| Crianças | O esquema de vacinas é diferente do adulto. Alguns medicamentos de prevenção têm limites de idade ou de peso. |
| Pessoas com doenças crónicas | Diabetes, doenças do coração, doenças renais ou imunidade baixa alteram o risco e as recomendações. Algumas vacinas podem estar contraindicadas. |
| Pessoas com mais de 65 anos | Maior risco em algumas infeções. Mais medicação habitual, logo mais interações possíveis. |
| Viagens longas | Mais tempo de exposição, por isso mais preparação. |
| Trabalho humanitário ou de saúde | Contacto com populações doentes e condições de saneamento precárias. |
A consulta é também útil para quem viaja com frequência e quer manter as vacinas em dia.
Quando se deve fazer a consulta do viajante?
O ideal é marcar 4 a 6 semanas antes da partida. Este prazo permite:
- Completar as vacinas que precisam de mais do que uma dose
- Dar tempo ao corpo para criar proteção (a maioria das vacinas demora cerca de 2 semanas)
- Começar a prevenção da malária a tempo (alguns medicamentos iniciam-se 1 a 2 semanas antes)
- Comprar a medicação de viagem com calma
Quem vai partir daqui a menos de 4 semanas deve marcar na mesma. Várias medidas têm efeito imediato, e o médico adapta o plano ao tempo disponível. Mesmo na véspera da viagem, a consulta compensa.
O que é avaliado na teleconsulta do viajante?
A consulta parte de duas perguntas: quem é o viajante e para onde vai. O médico cruza o historial de saúde com os riscos do destino e constrói um plano à medida. O médico confirma as vacinas de rotina, avalia as vacinas de viagem necessárias e aprofunda cada tema de acordo com o destino e o perfil de quem viaja.
Destino, itinerário e tipo de viagem
O risco não depende só do país. Depende da região visitada, da duração da estadia, do tipo de alojamento, das atividades previstas (safári, mergulho, trekking em altitude, voluntariado) e da época do ano. A estação das chuvas, por exemplo, aumenta o risco de malária e de dengue.
Situações de saúde específicas
Gravidez, diabetes, hipertensão, doença renal, imunidade baixa ou medicação crónica mudam as recomendações. O médico analisa cada caso e adapta vacinas, medicação e conselhos. Em alguns casos, aconselha adiar ou alterar a viagem.
É possível fazer a consulta do viajante por teleconsulta?
Sim. Na Lusitana Saúde, a consulta do viajante faz-se por videochamada com um médico com formação em medicina do viajante. A avaliação dos riscos, as recomendações de vacinas, a prescrição da prevenção da malária e o kit de viagem são tratados à distância.
Como funciona:
- Aceder à página da consulta do viajante e escolher o dia e o horário (manhã, tarde ou noite, 7 dias por semana)
- Pagar online de forma segura por Multibanco, MB WAY ou cartão; após confirmação, é enviado por email o link de acesso à videoconsulta
- Realizar a teleconsulta por videochamada no horário escolhido
- Receber as receitas e as orientações por escrito, em formato digital, por email
Para a maioria dos viajantes, a teleconsulta é suficiente. As vacinas são administradas presencialmente, numa farmácia, centro de saúde ou centro de vacinação internacional. O médico indica onde e como as fazer, com as receitas necessárias.
O que ter à mão na teleconsulta do viajante?
- Cartão de Cidadão
- Boletim de vacinas ou registo de vacinação, em papel ou digital, se existir
- Lista dos medicamentos que toma (nome e dose)
- Itinerário: destinos, datas, alojamento e atividades previstas
- Telemóvel, tablet ou computador com câmara, microfone e boa ligação à internet
Sem o boletim de vacinas, a consulta faz-se na mesma. O médico adapta as recomendações à informação disponível.
Vão viajar várias pessoas? Cada uma precisa da sua consulta
A consulta do viajante é individual. Cada pessoa deve marcar a sua, mesmo que viajem juntas, para o mesmo destino e nas mesmas datas.
Há três razões para isso:
- As recomendações são pessoais. Dependem das vacinas que cada um já tem, das doenças e dos medicamentos de cada um. Um casal com o mesmo itinerário pode sair da consulta com planos diferentes.
- As receitas são nominais. O médico só pode prescrever para a pessoa identificada na marcação. Não é possível passar receitas para um acompanhante.
- O tempo da consulta é reservado a um único utente. Avaliar bem duas ou três pessoas na mesma videochamada não é possível, e a preparação ficaria incompleta.
Quem viaja em família ou em grupo deve marcar uma consulta por pessoa, incluindo as crianças. É possível escolher horários seguidos no mesmo dia, para tratar de tudo de uma vez.
E depois da viagem?
A maioria das pessoas regressa sem problemas. Há, no entanto, dois sinais que não devem ser ignorados.
Febre após regresso de uma zona com malária é uma urgência, e pode surgir até várias semanas ou meses depois. O viajante deve procurar cuidados médicos no próprio dia e indicar onde esteve.
Diarreia que dura mais de 2 semanas, lesões na pele que não cicatrizam ou cansaço persistente justificam uma consulta. O viajante deve sempre informar o médico de que viajou e para onde.
Perguntas frequentes sobre a consulta do viajante
A consulta do viajante é obrigatória?
Não. Mas alguns países exigem certificado de vacinação contra a febre amarela para entrar. Alguns exigem vacina contra a meningite (peregrinação a Meca) ou prova de vacinação contra a poliomielite. A consulta do viajante é sempre recomendada para destinos tropicais, remotos ou com riscos específicos.
Quanto tempo antes da viagem se deve fazer a consulta do viajante?
O ideal é entre 4 a 6 semanas antes da partida, para dar tempo a completar vacinas e a iniciar a prevenção da malária. Quem vai partir mais cedo deve marcar na mesma, porque o médico adapta o plano ao tempo disponível.
Que vacinas são necessárias para viajar?
Depende do destino, da duração e do tipo de viagem. As mais frequentes são hepatite A, febre tifoide e febre amarela. Dengue, hepatite B, raiva, encefalite japonesa e cólera são avaliadas caso a caso. O médico confirma também as vacinas de rotina.
A prevenção da malária é sempre necessária?
Não. A malária só existe em algumas regiões, e o risco varia dentro do mesmo país. O médico avalia a zona, a época e a duração, e só prescreve quando há risco real. O medicamento depende das resistências locais e do estado de saúde do viajante.
Uma grávida pode fazer a consulta do viajante?
Sim, e deve. Alguns destinos são desaconselhados na gravidez, como zonas com surtos de zika ativos ou com malária. Algumas vacinas não podem ser dadas. O médico avalia o risco e adapta as recomendações ao trimestre da gravidez.
A consulta do viajante serve para crianças?
Sim. As recomendações são adaptadas à idade e ao peso. Algumas vacinas de viagem e alguns medicamentos de prevenção têm limites de idade. O médico avalia cada criança individualmente.
Pode fazer-se a consulta sem o boletim de vacinas?
Sim. Sem o boletim, a consulta faz-se na mesma e o médico adapta as recomendações à informação disponível. Quando existir, o boletim em papel ou digital ajuda a confirmar as vacinas já administradas.
Quem viaja em grupo ou em família pode fazer uma única consulta?
Não. A consulta é individual, porque as recomendações e as receitas são pessoais e nominais. Cada pessoa, incluindo as crianças, deve marcar a sua, podendo escolher horários seguidos no mesmo dia.
É possível receber receitas na teleconsulta?
Sim. O médico pode prescrever a prevenção da malária, a medicação para a diarreia do viajante e os restantes medicamentos do kit de viagem. As receitas são eletrónicas e levantam-se em qualquer farmácia.
A teleconsulta do viajante é válida em Portugal?
Sim. A teleconsulta médica é uma forma legalmente reconhecida de prestar cuidados de saúde em Portugal. As receitas eletrónicas são válidas em qualquer farmácia. Para esclarecer a situação concreta de cada viagem, a teleconsulta com o médico é o passo recomendado.
Como marcar a consulta do viajante na Lusitana Saúde?
A marcação é feita online, em poucos minutos:
- Aceder à página da consulta do viajante e escolher o dia e a hora
- Pagar online de forma segura por Multibanco, MB WAY ou cartão; após confirmação, é enviado por email o link de acesso à videoconsulta
- Realizar a teleconsulta por videochamada no horário escolhido
- Receber as receitas e as orientações por email após a consulta
Fontes e referências
- CDC, Travelers’ Health: Travel Vaccines (abre numa nova janela)
- CDC Yellow Book: The Pre-Travel Consultation (abre numa nova janela)
- CDC Yellow Book: Malaria (abre numa nova janela)
- OMS (África): uma dose da vacina da febre amarela confere proteção para toda a vida (abre numa nova janela)
- TravelHealthPro (NaTHNaC): Yellow fever (abre numa nova janela)
- ERS: Alerta de Supervisão n.º 6/2024, vacinação de viajantes nos Centros de Vacinação Internacional (abre numa nova janela)
- CDC: Health Alert Network sobre vacinação meningocócica para peregrinos (Hajj e Umrah) (abre numa nova janela)