Vitamina D: O défice que quase todos os portugueses têm e não sabem

Portugal é um dos países europeus com mais horas de sol por ano. É tentador assumir, por isso, que os portugueses têm bons níveis de vitamina D. A realidade, porém, conta uma história diferente: estudos recentes indicam que a maioria da população adulta portuguesa apresenta défice ou insuficiência desta vitamina, independentemente da região onde vive. O paradoxo é fácil de explicar. A maior parte das pessoas passa o dia em escritórios, carros e espaços fechados. Chegam a casa depois do sol se pôr. Ao fim de semana, usam protetor solar. O resultado: o organismo nunca produz vitamina D suficiente, mesmo com sol disponível.

O que é a Vitamina D e Porque é Tão Importante

A vitamina D não é, tecnicamente, uma vitamina no sentido clássico, é um pró-hormona produzida na pele quando exposta à radiação ultravioleta do tipo B (UVB). O organismo também pode obter pequenas quantidades através da alimentação, principalmente de peixe gordo, ovos e alguns alimentos enriquecidos, mas a produção cutânea é a fonte principal. O papel da vitamina D vai muito além da saúde óssea, embora seja aí que a maioria das pessoas a associa. Os recetores desta vitamina estão presentes em praticamente todos os tecidos do corpo, o que explica o seu impacto sistémico:

  • Absorção de cálcio e fósforo, essencial para ossos e dentes saudáveis;
  • Regulação do sistema imunitário, reduzindo a suscetibilidade a infeções;
  • Modulação do humor e prevenção de estados depressivos;
  • Qualidade do sono e regulação dos ritmos circadianos;
  • Saúde muscular e redução do risco de quedas em pessoas mais velhas;
  • Regulação hormonal, incluindo testosterona e insulina.

Sintomas do Défice de Vitamina D


O défice de vitamina D é insidioso precisamente porque os seus sintomas são vagos e facilmente atribuídos ao ritmo de vida moderno. Muitas pessoas vivem anos com níveis insuficientes sem nunca relacionar os seus problemas com esta carência específica.

Os sinais mais comuns incluem:

  • Cansaço persistente que não melhora com descanso;
  • Dores musculares e ósseas difusas, especialmente nas costas e pernas;
  • Humor em baixo, irritabilidade ou tristeza sem causa aparente;
  • Infeções frequentes, como constipações e gripes repetidas;
  • Dificuldade em adormecer ou sono não reparador;
  • Queda de cabelo mais acentuada do que o habitual;
  • Dificuldade de concentração e sensação de “nevoeiro mental”.

Nenhum destes sintomas é exclusivo do défice de vitamina D, o que dificulta o diagnóstico clínico sem recurso a análises. A única forma segura de confirmar um défice é através da medição do 25-hidroxivitamina D no sangue.

Quem Tem Maior Risco

Embora o défice seja transversal a toda a população, alguns grupos estão particularmente
vulneráveis:

  • Pessoas que trabalham em espaços fechados durante o dia;
  • Idosos, cuja capacidade de síntese cutânea diminui com a idade;
  • Pessoas com pele mais escura, que precisam de maior exposição solar para sintetizar a mesma quantidade;
  • Grávidas e mulheres a amamentar;
  • Pessoas com excesso de peso, uma vez que a vitamina D tende a acumular-se no
    tecido adiposo;
  • Indivíduos com doenças intestinais que comprometem a absorção de nutrientes;
  • Emigrantes portugueses que vivem em países com menos radiação solar.

Como Tratar o Défice

A suplementação de vitamina D é eficaz e segura quando feita com orientação médica. A dose correta depende dos níveis séricos do doente, da sua idade, peso corporal e outros fatores individuais. Suplementar sem conhecer os seus valores pode, em casos extremos, levar a toxicidade por excesso, o que justifica sempre a realização de análises antes de iniciar qualquer suplemento. Para além da suplementação, algumas medidas práticas podem ajudar a manter níveis adequados:

  • Exposição solar de 15 a 30 minutos por dia, nos braços e pernas, sem protetor solar, preferencialmente entre as 10h e as 15h;
  • Consumo regular de salmão, sardinha, atum, gema de ovo e cogumelos;
  • Revisão periódica dos níveis através de análises clínicas, idealmente uma vez por
    ano.

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